Dizem por aí que fantasmas não existem. Talvez aqueles seres sobrenaturais compostos de ectoplasma não existam mesmo, mas de uma coisa eu tenho certeza: fantasmas existem sim e eles adoram voltar para nos assombrar... Esta é a história de como um fantasma pode mudar a vida de alguém da forma mais inesperada possível...
Lembro daquele dia como se fosse hoje e todos aqueles sentimentos conflitantes ainda estão bem vivos em minha memória... Foi um dia confuso devo admitir, mas acho que eu não poderia mudar absolutamente nada dele. Foi um dia perfeito da forma como deveria acontecer...
Tudo começou quando vi aquela mensagem de texto. Ela estava fora por tanto tempo que nem achei que ela ainda tivesse meu número... Imagino se ela teria pensado o mesmo antes de mandar a mensagem... Bom, pensando ou não, fato é que ela optou por enviar. Ela estava de volta a cidade e queria me encontrar. Hesitei por alguns instantes antes de responder positivamente, com carinha feliz e tudo que tinha direito! Minha hesitação não foi por mágoas passadas, claro. Era algo ainda mais perturbador... Durante todos os anos em que fomos amigos eu nutri uma grande paixão não correspondida por ela, um amor platônico mesmo... Acho que este era o único segredo que nunca contei a ela... Nossa amizade valia muito mais do que uma paixão não correspondida. Quando ela se foi eu aprendi, com o tempo, a esquecê-la e assim eu o fiz. Pelo menos eu achei que tinha feito...
Marcamos de nos ver a tarde no mesmo café em que costumávamos ir nas tardes livres após o colégio. Eu confesso que estava muito nervoso com este reencontro... Depois de tanto tempo, será que ela estava diferente? Será que eu estava diferente? Eu estava mesmo uma pilha de nervos... Acabei chegando no café mais ou menos meia hora antes do horário marcado e acabei sendo surpreendido pela presença dela lá... Nos cumprimentamos e eu perguntei o que ela fazia lá tão cedo. Ela me disse que me conhecia muito bem a ponto de saber que eu chegaria mais cedo, então ela resolveu me fazer uma surpresa! Conversamos, rimos, tomamos café, contamos casos e tudo mais o que se pode fazer num reencontro. Só que não parecia isso... Era mais como se ela nunca tivesse ido. Ela parecia ser a mesma pessoa da qual eu me lembrava... O mesmo corte de cabelo, os mesmos olhos verdes, o mesmo sorriso... De repente dei por mim fitando-a da mesma forma que fiz inúmeras vezes no passado...
Saímos do café para darmos uma volta pela vizinhança. Enquanto andávamos ela deu um passo para perto de mim e segurou meu braço. Caminhamos por quase uma hora assim, de braços dados... Costumávamos andar assim pra cima e para baixo antigamente... Toda essa proximidade foi, aos poucos, me fazendo lembrar de um sentimento que eu, sinceramente, tinha certeza de estar enterrado bem fundo em meu passado. No entanto, tal qual um fantasma, ele voltou com toda a força para me assombrar...
Estava ficando tarde e ela me disse que tinha que ir pra casa desfazer as malas. Confesso que ter a certeza de que ela estava de volta em minha vida me fez sentir uma felicidade que há muito eu não sentia... Uma felicidade que apenas ela conseguia me provocar... Quando chegamos a casa dela e nos despedimos ambos hesitamos por um momento, como se quiséssemos dizer algo um para o outro mas não encontrássemos as palavras certas para isso. Em alguns momentos eu tive a nítida impressão de que ela iria dizer algo, mas não disse. Não nego que pensei em contar a ela tudo sobre o que eu sinto... sentia por ela, mas a coragem me fugiu... Afinal ela havia acabado de voltar. Como eu poderia bombardeá-la com toda essa sentimentalidade? Seria loucura! Mas e se... e se eu não fosse o único? O que eu devia fazer? Falar ou ir embora?
Acabei optando por ir pra casa... Não por covardia, mas para dar uma chance ao tempo. Não quis apressar algo que poderia ser para sempre... Já esperei por tanto tempo que acho que posso sobreviver a mais uma noite. Além disso ela me prometeu que me liga amanhã para podermos conversar com calma sobre o que não foi dito hoje...
quarta-feira, 29 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Adeus
"Alô?"
"Amanda?"
"Sou eu. Quem fala?"
"Ícaro."
"Ah! Oi, meu amor! Sua voz tá diferente... Você está doente?"
"Um pouco, mas não é nada pra se preocupar..."
"Tem certeza?"
"Sim..."
"Bom, então tudo bem."
"Amanda... eu queria te dizer uma coisa..."
"O que foi? Aconteceu alguma coisa? Tem certeza que você tá bem?"
"Tenho... É só que eu queria dizer que te amo..."
"Ahh, seu bobo! Também te amo! Muito!"
"Sério... Eu te amo desde a primeira vez que te vi... Eu amo seu jeito de falar, amo seu jeito de se vestir, amo seu jeito de pensar... Amo quando você finge estar brava... você faz uma carinha linda quando faz isso. Amo o cheiro do seu cabelo e amo quando você pousa sua cabeça em meu ombro. Amo seus olhos castanhos e amo quando você canta para eu dormir..."
"Meu amor, você está chorando?"
"Não... não..."
"Ícaro, você tá bem?"
"Estou... não se preocupe..."
"Eu te conheço... sei que tem algo errado... o que foi?"
"Não é nada..."
"Chega! Eu vou até sua casa, ok?"
"Eu não estou em casa..."
"E onde você está? Ícaro? Ícaro?"
"Eu... eh... tenho que desligar... Adeus, meu amor... Adeus meus lindos olhos castanhos..."
"Por que você não contou?"
"Eu não consegui... Não posso dizer isso a ela."
"Mas ela merece saber..."
"Eu sei... Mas não consigo me despedir..."
"Isso foi uma despedida, não foi?"
"Sim... Ela vai me odiar quando souber, mas pelo menos eu pude dizer adeus..."
"Ícaro, você sabe que não tem que ser assim... Eu posso chamá-la aqui..."
"Não! Não quero que ela me veja assim..."
"Você não precisa ter vergonha disso, meu filho..."
"Não é vergonha, mãe... Só não quero que a última imagem que ela vai ter de mim em sua memória seja esta... Ela não merece isso..."
"Acho que nós dois já choramos o suficiente, não é?"
"Acho que sim..."
"Eu te amo, meu filho..."
"Também te amo, mãe... Quando chegar a hora, você pede desculpas a ela por mim?"
"Claro..."
"Parece que no fim das contas nós ainda não choramos tudo..."
"É... parece que não..."
"Adeus mãe... Eu te..."
"Adeus, meu filho..."
"Amanda?"
"Sou eu. Quem fala?"
"Ícaro."
"Ah! Oi, meu amor! Sua voz tá diferente... Você está doente?"
"Um pouco, mas não é nada pra se preocupar..."
"Tem certeza?"
"Sim..."
"Bom, então tudo bem."
"Amanda... eu queria te dizer uma coisa..."
"O que foi? Aconteceu alguma coisa? Tem certeza que você tá bem?"
"Tenho... É só que eu queria dizer que te amo..."
"Ahh, seu bobo! Também te amo! Muito!"
"Sério... Eu te amo desde a primeira vez que te vi... Eu amo seu jeito de falar, amo seu jeito de se vestir, amo seu jeito de pensar... Amo quando você finge estar brava... você faz uma carinha linda quando faz isso. Amo o cheiro do seu cabelo e amo quando você pousa sua cabeça em meu ombro. Amo seus olhos castanhos e amo quando você canta para eu dormir..."
"Meu amor, você está chorando?"
"Não... não..."
"Ícaro, você tá bem?"
"Estou... não se preocupe..."
"Eu te conheço... sei que tem algo errado... o que foi?"
"Não é nada..."
"Chega! Eu vou até sua casa, ok?"
"Eu não estou em casa..."
"E onde você está? Ícaro? Ícaro?"
"Eu... eh... tenho que desligar... Adeus, meu amor... Adeus meus lindos olhos castanhos..."
"Por que você não contou?"
"Eu não consegui... Não posso dizer isso a ela."
"Mas ela merece saber..."
"Eu sei... Mas não consigo me despedir..."
"Isso foi uma despedida, não foi?"
"Sim... Ela vai me odiar quando souber, mas pelo menos eu pude dizer adeus..."
"Ícaro, você sabe que não tem que ser assim... Eu posso chamá-la aqui..."
"Não! Não quero que ela me veja assim..."
"Você não precisa ter vergonha disso, meu filho..."
"Não é vergonha, mãe... Só não quero que a última imagem que ela vai ter de mim em sua memória seja esta... Ela não merece isso..."
"Acho que nós dois já choramos o suficiente, não é?"
"Acho que sim..."
"Eu te amo, meu filho..."
"Também te amo, mãe... Quando chegar a hora, você pede desculpas a ela por mim?"
"Claro..."
"Parece que no fim das contas nós ainda não choramos tudo..."
"É... parece que não..."
"Adeus mãe... Eu te..."
"Adeus, meu filho..."
domingo, 19 de maio de 2013
Final Feliz
Chovia muito naquela manhã de domingo. Uma chuva fina,
porém firme e constante, daquele tipo que parece que não molha nada, mas que na
verdade te deixa encharcado em segundos... Um dia cinza e triste perfeito pra
representar meu estado de espírito. Sentada junto à janela, lágrimas corriam
dos meus olhos acompanhando o ritmo da chuva... Eu estava triste, eu estava com
raiva, eu estava desolada, afinal de contas eu havia visto meu mundo cair no
dia anterior...
Acordei bem cedo naquele sábado... Mais ou menos por
volta das onze da manhã... Aquele era pra ser um dia especial... Eu tinha
passado as últimas duas semanas ocupada com os preparativos. Ensaiei arduamente
pra aprender os acordes da música que íamos tocar no final da festa, fiz os
pedidos de salgados e de bebidas, decorei todo o galpão sozinha e tudo isso pra
que? Pra descobrir o quanto eu sou idiota...
“Vocês são perfeitos juntos” era o que eu ouvia de todos
as minhas amigas e eu concordava com elas todas as vezes. Ele era um perfeito cavalheiro
comigo, era bonito, gentil, inteligente, enfim... Tudo que sempre procurei,
tudo que eu sempre quis... Pelo menos era o que eu achava... É tão difícil
quebrar a cara... Dói muito mais do que se imagina. Só quem já passou por isso
sabe o quanto é complicado ver a perfeição de desfazer diante de seus olhos...
Eu fui burra, confesso... Eu não deveria ter fechado os
olhos pros amigos idiotas dele... Eu não deveria ter ouvido calada cada insulto
e cada merda que eles diziam sobre mim... Que eu era difícil, que eu era chata
e mimada, que eu era estúpida e que ele poderia arrumar coisa melhor e mais
gostosa do que eu... Mas eu achava que ele era diferente deles... Achava que
ele apenas escutava aquilo e não dava importância... Ele sempre dizia que eles estavam
apenas brincando e que eu era tudo pra ele... Como pude ser tão tola?
Estava toda empolgada indo pra festa de aniversário que
eu tinha preparado em segredo com tanto carinho... Deixei tudo arrumado e fui
busca-lo em casa. Chegando lá me dei conta de que ele não estava sozinho...
Escutei a voz dele e já estava pronta pra bater na porta quando eu a escutei...
Seja lá o que estivesse acontecendo, ela parecia estar gostando bastante... Dei
a volta pra ir olhar pela janela do quarto dele e não consegui acreditar no que
eu estava vendo... Fiquei completamente paralisada ali... Olhando aquela cena
nojenta, ainda sem acreditar no que meus olhos insistiam em me mostrar... Depois
acabei correndo...
Fui direto para meu quarto sem falar com ninguém...
Parece que foi calculado, pois assim que deitei ele me ligou... Ele... Aquele
tarado, traidor de uma figa... Relutei muito em atender, mas algo em mim me
dizia que eu precisava por tudo pra fora...
“Alô.”
“Oi, meu amor... Sou eu. Você não disse que ia passar
aqui em casa as sete pra me fazer uma surpresa?”
Então era isso? Ele achava que eu só ia aparecer as sete
e por isso tinha o território livre pra fazer sei lá o que com aquela vaca?
“Curioso você falar em surpresa...”
“Ei... o que foi? Você parece estar chorando... Aconteceu
alguma coisa? Quer que eu vá até aí?”
“Eu quero que você vá para o quinto dos infernos seu
traidor de merda!”
“Ei! O que houve?”
“Você tem a coragem de me perguntar o que houve? Pergunta
para aquela vadia que estava com você hoje...”
“Do que você está falando?”
“Não se faça de bobo, seu desgraçado! EU VI!”
“Você o quê? Olha... Eu posso explicar... Não é o que
você está pensando...”
“Não... você realmente não é nada do que eu pensei que
fosse... Eu achava que você era o cara certo... Eu te AMAVA, seu babaca... No
fim você é exatamente igual a todos os seus amigos... Eu era o que? Só sua
diversão enquanto as putas não estavam? Você algum dia sentiu algo por mim ou
era tudo enrolação? Quer saber, que se dane... Você conseguiu estragar tudo...
Parabéns! Espero que você esteja feliz...”
Não lembro em que momento parei de chorar e fui dormir...
Só sei que quando acordei já estava chovendo... Saí da cama e nem me dei ao
trabalho de me olhar no espelho... Eu sabia que estava um caco... Não sei
direito o porquê de tudo isso ter acontecido comigo... Acho que é o destino...
Agora eu só quero ficar aqui, sentada na janela olhando a chuva cair junto com
minhas lágrimas... Eu tinha tudo e não tinha nada... Agora só me resta um vazio
no peito e uma única certeza: Falta muito pro meu final feliz...
sábado, 4 de maio de 2013
Primeiro Beijo
O que eu faço agora? Nem sei por que fiz aquilo. Eu
não devia ter feito aquilo. Ela não vai me perdoar nunca. Ou vai? Não, é claro
que não vai. Será que eu ligo? Melhor não, ela não vai atender mesmo. Eu sou um
grande imbecil. Pior é que foi bom, muito bom. Por mais que eu tente, acho que
não vou esquecer o dia de ontem.
Era uma sexta-feira normal na escola. A aula de
biologia estava um saco, pra variar, e eu estava quase dormindo. Minha melhor
amiga me deu um tapa na nuca, ela nunca me deixava dormir na aula, e eu me
virei pra repreendê-la, mas não consegui fazê-lo. Nos últimos dias eu não
conseguia brigar com ela, toda vez que eu a olhava só via aqueles olhos verdes
tão lindos e me perdia dentro deles. Não sabia explicar o que era aquilo, mas
era estranho.
Eu a conhecia há muitos anos. Desde que me mudei
pra cá nós somos vizinhos. Como somos os únicos jovens na rua, somos amigos
desde sempre. Em todos esses anos eu nunca tinha me sentido assim perto dela. O
que estava havendo?
Acabou a aula e nós fomos embora juntos, como
sempre fazíamos. Quando éramos mais novos, nós íamos de mãos dadas. A mediada
que fomos crescendo, isso deixou de acontecer, mas já há alguns dias eu queria
muito, muito mesmo, que esse hábito voltasse. Queria caminhar de mãos dadas com
ela, queria estar perto dela, queria...
Estávamos na frente da casa dela e eu, enfim,
decidi tomar uma atitude. Na verdade eu não cheguei a pensar sobre isso, foi
mais instintivo mesmo. Em um movimento súbito, segurei o braço dela, impedindo
que ela entrasse. Ela se virou e me perguntou o que o que tinha acontecido. Eu
a olhei e disse que tinha que mostrar algo pra ela. Ela me perguntou o que era.
Eu disse: “Isso”. Fiz um movimento tão rápido que nem mesmo eu vi. Eu a beijei.
Foi rápido, mas foi bom. Depois acho que percebi o que tinha feito e corri
feito um louco pra minha própria casa, deixando ela ali, na frente da casa dela
e sem entender o que tinha acontecido. Fui direto pro meu quarto e comecei a
pensar no que eu iria fazer. Passei a noite em claro. Ainda bem que
era sábado. Não sabia o que fazer.
Eu estava completamente perdido nos meus
pensamentos, me culpando pelo o que eu tinha feito. Me assustei ao ouvir o meu
celular tocando. Corri pelo quarto atrás do meu telefone (vivo esquecendo onde
deixei). Ao ver quem estava me ligando, tomei um susto maior ainda: era ela.
Atendi.
“Oi, olha, sobre ontem...”
“Espera, eu queria conversar com você pessoalmente,
você se importa se eu for até aí?”
“Não. Tô te esperando então.”
Droga. Ela ia vir aqui e me chamar de tudo quanto é
nome. Vai dizer que eu sou idiota e cafajeste e que ela nunca mais vai querem
me ver. Mas tenho que admitir que lá no fundo eu tinha esperanças de que ela ia
dizer que gostou do beijo e que não tinha nada a ver. Só tinha uma coisa que eu
sabia que ela não ia dizer: que ela gostava de mim. Eu sei disso, pois dias
atrás ela me disse que tava a fim de um cara lá da escola. Acho que foi quando
eu ouvi isso que eu percebi o quanto eu gostava dela.
Corri até a porta quando ouvi o interfone. Ela
entrou e nós fomos em silêncio, um doloroso silêncio de quem não sabe o que
dizer, até o meu quarto. Nos sentamos um de frente pro outro e nos encaramos um
minuto.
“Olha, sobre ontem, me desculpa. Não sei por que
fiz aquilo.”
“É sobre isso que eu queria falar com você.”
“É sério, vou entender se você não quiser mais
falar comigo. Eu não devia ter te beijado daquele jeito.”
“Não, não devia. Mas...”
Eu notei algo esquisito: ela estava nervosa. Até
parecia que ela não estava tendo a coragem necessária para me dizer alguma
coisa. Não sabia o que ela ia dizer, mas pela primeira vez me senti
verdadeiramente confiante.
Com alguma dificuldade, ela continuou:
“... mas é que... foi, tipo... o meu primeiro
beijo.”
“É eu sei. Me desculpe, sério. Eu sei que você
queria que seu primeiro beijo fosse com o tal cara de quem você gosta.
Desculpa.”
Eu estava querendo gritar, mas só o que eu consegui
foi chorar. Não sou de chorar, mas naquela hora eu não consegui me segurar. Ela
viu que eu estava chorando e se aproximou, sentou-se ao meu lado e me abraçou.
Naquela hora tudo sumiu. Aquele abraço me consumiu por completo. Eu poderia
ficar ali pro resto da minha vida. Eu achava que tudo estava perfeito, então eu
a ouvi dizer baixinho:
“Meu primeiro beijo foi com o garoto que eu gosto.
Eu gosto de você. Mas achei que você fosse achar que eu era idiota, tive medo
de te perder.”
Acho que entrei em choque, não sei bem. Só sei que
aquele momento perfeito ficou ainda melhor ao ouvir essas palavras. Ela gosta
de mim!
“Me perder? Nunca. Eu também gosto de você. Desde
sempre, eu acho.”
Após um breve minuto de silêncio, um delicioso
silêncio de quem não sabe o que dizer, aconteceu um segundo primeiro beijo. Só
que dessa vez nenhum dos dois foi surpreendido.
Espero o tempo que for
Era outra
quarta-feira idiota da minha vida. Aulas chatas de manhã, tendo que aguentar
aquelas patricinhas esnobes trocando mensagens de texto durante a aula toda e
dando risadinhas histéricas, provavelmente porque uma delas comprou um novo
esmalte rosa. Quanta futilidade. Não que eu estivesse prestando atenção na
aula... muito pelo contrário, eu só estava querendo tirar uma soneca. Também,
quem manda ficar andando de skate até altas horas da noite? Além disso, à tarde
eu teria que encarar uma aula de balé, que eu sou forçada a fazer para agradar
minha mãe e garantir meu dinheiro no fim do mês. A pior parte é que aqueles
três seres cor-de-rosa, Flávia, Karina e Marcela, a última a mais idiota de
todas, estarão lá... e como sempre vão aproveitar seus breves momentos sem
celular para praticar o único esporte que elas tem capacidade suficiente para
aprender: implicar comigo.
Bom, como
eu já esperava, não foi uma tarde agradável... nunca era... (mas a Marcela vai
ter o que merece...). Pelo menos acabou rápido. Já estava indo embora quando
notei que tinha esquecido meu celular na classe. Voltei pra pegar e pra minha
infeliz surpresa dei de cara com ela, Marcela, saindo da aula. Momentos de
tensão. Mas me controlei... dar uma surra nela seria ótimo, mas poderia me
render uma expulsão. Saí do caminho para que ela desfilasse sua prepotência
colorida de rosa, a contragosto, claro. Parece que foi ensaiado. Na hora em que
ela passou por mim, um garoto de skate passou, quer dizer, colidiu com ela,
jogando ambos ao chão. Nossa, foi amor a primeira vista... só que ele não me
viu.
Foi muito
rápido. Por sorte (ou azar... sei lá) nenhum dos dois se feriu, embora o skate
tenha ficado em estado terminal, vindo a falecer horas depois. Recuperado do
tombo, o garoto ajudou Marcela a se levantar. Pra que fazer isso? Foram só os
olhares se cruzarem pra qualquer retardado que estivesse passando perceber que
tinha algo a mais ali. Sinceramente, ainda me pergunto como eles conseguiram
falar depois...
“Vo...vo...
você está... eh... bem?”
Bom,
admito que ver a cara de idiota (mais do que normalmente ela tem) da Marcela,
sem conseguir falar ou piscar, foi no mínimo hilário. Só que isso só deixou o
garoto mais preocupado... (que ódio)
“Oi, você
está bem?” – Perguntou o garoto, colocando a mão no ombro dela.
“Ah...
estou sim.”
“Sério,
me desculpa. Eu acabei perdendo o controle e você apareceu de repente.”
“Tudo
bem... ninguém se machucou.”
“Verdade,
só meu skate que parece um pouco danificado...”
“Sério? E
dá pra concertar?”
(Insira
aqui um palavrão). Aquela patricinha nojenta. Ela estava dando em cima dele!
Aquela bruaca cor-de-rosa tinha acabado de conhecer o garoto e estava dando em
cima dele!! Eu devia matar ela... o problema é que nenhum dos dois parecia
notar que eu ainda estava parada ali. Que ódio!
“Não.” –
Respondeu o garoto.
Eles se
olharam um minuto e começaram a rir como se fossem amigos de infância. (Insira
aqui outro palavrão). Não acreditei quando vi...
“E então,
qual o seu nome?”
“Thiago.
E você, como se chama?”
“Marcela.”
“Nome
bonito. Combina com você.”
O QUÊ??
EU NÃO ACREDITO!! ELE A ELOGIOU...
“Ah...
brigada... você costuma ser sempre tão desastrado?”
“Até que
não. Costumo ser um ótimo skatista.”
“Tenho
minhas dúvidas.”
Eles
estavam rindo de novo. Agora, eu me pergunto quais são os motivos que me
levaram a ficar ali, estática, sendo ignorada pelos dois... Eu devia ser mesmo
uma completa imbecil.
“Por que
você não vai me ver competir no sábado? Aí poderia te mostrar que eu não sou
tão desastrado assim.”
O QUE?
Ele chamou ela pra sair? Não acredito!! Mas é óbvio que ela vai recusar... Imagina
se as amigas delas descobrem que ela vai a uma competição de skate? Além
disso, eles tinham acabado de se conhecer... Ela não ia aceitar. Eles são
completamente diferentes... Completamente opostos... Imagina só: uma patricinha
que amava rosa, celular, internet, bolsas, sapatos e joias e um skatista de
tênis e roupas largas, com alargador e boné virado. Era óbvio que a resposta
seria aquela... Tão óbvio que decidi sair a francesa... Se bem que não faria
diferença o modo como eu saísse, eles nem repararam que eu ainda estava lá
quando Marcela respondeu.
“Claro,
estarei lá!”
Veio a
noite. Saí escondida de casa, como sempre faço, pra ir treinar umas manobras.
Afinal, eu ia competir no sábado também. Para minha surpresa, ao chegar à rampa
comunitária do bairro, eu encontro com ele. Thiago. Estava sozinho, treinando
sua série, que era muito boa pra falar a verdade. Nossa, ele parecia inspirado.
Que nojo. Mesmo assim decidi iniciar uma conversa.
Conversamos
durante umas três horas. Nossa, nós tínhamos muitas coisas em comum! Ambos
gostávamos de tocar guitarra, embora eu não fosse muito boa nisso. Ele até se
ofereceu pra me ensinar! Ambos compúnhamos músicas. Ele até disse que depois
poderíamos cantar alguma coisa juntos. Gostamos das mesmas bandas, dos mesmos
filmes e até mesmo do mesmo sanduíche! A conversa estava tão agradável! Ele
disse que amanhã começava a estudar na mesma escola que eu, na mesma sala até.
Só resolvi ir embora quando o assunto chegou na Marcela. Disse que tinha que ir
dormir e ele me levou em casa. Nossa, é sério, não sei o que ele viu naquela
patricinha idiota e metida à besta. Mas amanhã ele vai ver a verdadeira face
dela!
Quinta-feira
chegou e com ela a decepção. Ele sentou-se ao meu lado na aula, mas assim que
tocou o sinal ele foi correndo falar com a Marcela. Ela deu um jeito de
despistar as amigas e foi conversar com ele. Minutos depois ele voltou com um
grande sorriso no rosto. Basicamente, ela só falava com ele quando ninguém mais
estava olhando. Se tivesse alguém perto, ela fingia ignorá-lo. O que era mais
revoltante é que ele lidava naturalmente com essa situação! Que ódio!
Os dias
foram passando e, novamente, era quarta-feira. Aula de Balé. Bom, pelo menos
dessa vez a aula foi útil. Escutei umas coisinhas. Aquela víbora dissimulada da
Marcela estava falando mal do Thiago!! Como ela ousa? Concordava com tudo que
as amiguinhas dela diziam... Que o cabelo dele era esquisito, que as roupas
eram ridículas, etc. Bom, eu comecei a rir. Elas, obviamente, não gostaram. Em
especial a Marcela. Depois da aula, ela me esperou sozinha, e disse que tinha
que conversar comigo. Irônico e muito divertido. Ela me implorou pra não falar
nada pro Thiago. Ela só tinha se esquecido de um detalhe. Eu nunca fui uma
ameaça pra ela, não nesse aspecto. Já as amigas dela...
Quinta-feira,
o último dia de aula. Foi um dia bem divertido, devo dizer. Estava sentada no
meu lugar, como sempre. O Thiago ao meu lado. Fazia um tempo que ele vinha
reclamando das atitudes da Marcela quando estava perto das amigas. Será que ele
tinha entendido? A garota tinha vergonha dele! Não, não era isso. Ele só queria
pedir algo emprestado. A cena que se seguiu foi terrível pra se descrever... A
forma como aquelas duas, Flávia e Karina, humilharam ele foi cruel, muito
cruel. Mas pior ainda foi a atitude de Marcela ao ser questionada se concordava
ou não com as afirmações das duas. Ela se calou. Ficou lá, muda, sem saber se
falava alguma coisa ou não. Só quem viu o Thiago depois disso sabe o que ele
sentiu. Ele estava arrasado. Finalmente via a verdade e ela doía muito.
Por mais
doloroso que fosse pra mim, eu tinha que fazer meu papel de amiga. Era disso
que ele precisava. Uma amiga. Não uma garota apaixonada. E foi isso que eu fui.
Uma amiga. Escutei tudo o que ele tinha pra dizer, vi ele chorar, escutei ele
desabafar. O ajudei a se levantar. Foi uma conversa silenciosa a partir daí. Só
o fato de eu estar ali já fazia bem pra ele, o que me deixou bem feliz, admito.
Eu não tinha pressa. Nunca tive. Sabia que à hora certa ia chegar. Não
importava o tempo que eu tivesse de esperar, eu sempre estaria ao lado
dele. Sempre.
Cinco
anos se passaram desde então. Muita coisa aconteceu nesse tempo. Pra começar,
Thiago foi campeão brasileiro de skate. Depois, montou uma banda, da qual ele
era vocalista e guitarrista. Foi sucesso imediato na internet! Depois ele
começou a frequentar a programação da MTV e começaram os shows. Ah é... E ele
se apaixonou por mim!! (Claro que essa é a informação mais relevante de todas,
pelo menos pra mim). Eis que o destino, enfim, o leva de volta pra aquela
cidade na qual tudo começou.
Um mega
show. Ia ser o maior em muitos anos na cidade. Passou em todos os canais. Todos
sabiam do show! Inclusive duas patricinhas que eram as primeiras da fila pra
comprar ingresso. Eu nem acreditei quando vi Flávia e Karina segurando fotos do
Thiago. Elas que sempre o humilharam, agora babam por ele? Ironicamente
hilário. Decidi não falar com elas. Um pouco mais atrás estava ela, Marcela.
Ignorei-a também e segui meu caminho rumo aos bastidores.
Finalmente
chegou o grande dia. Centenas de garotas enlouquecidas, dentre as quais
reconheci Flávia e Karina, disputavam a tapa um lugar perto do palco. Eu ri
muito daquela cena. No entanto, uma coisa me chamou a atenção. Marcela estava
do outro lado, tentando entrar escondida nos bastidores. Fui até lá e fiz
questão de permitir sua entrada. Eu só enrolei um pouquinho pra que ela
entrasse após o início do show.
“O que
você faz aqui, Marcela?”
“Eu... só
queria me desculpar...”
“Se
desculpar ou tentar voltar com ele agora que ele é famoso?”
“Não,
eu...”
“Agora
ele é bom o suficiente pra você? Agora você não tem mais vergonha dele?”
“Não é
isso...”
“Você não
mudou nada... ainda é uma víbora dissimulada, mas eu tenho novidades.”
“Não
entendo aonde você quer chegar. Sei que você é amiga dele, mas isso é entre ele
e eu.”
“Não
mais amiga. É mesmo uma pena que você não tenha conseguido enxergar
o quanto ele podia ser grande. É uma pena que você não tenha visto a alma boa e
grandiosa que ele tem. É assim que termina a história. Nós somos mais que bons
amigos.”
“Eu...
não acredito...”
“Não?
Escute a música. Eu o ajudei a compor. É sobre certa garota que ele conheceu e
que o magoou, mas também é sobre outra garota que está sempre aqui pra ele, que
está sempre nos bastidores cantando todas as músicas, que é sua maior fã desde
sempre e que é o amor da vida dele. É sobre você e sobre mim. Acabou. É de mim
que ele gosta.”
Ela
chorou. Mas não acho que tenha sido por minha causa. Foi por causa da
futilidade dela. Quem sabe agora ela se torne uma pessoa melhor. Torço pra ela
encontrar o cara certo, como eu encontrei. Tá... Eu admito que jogar tudo
aquilo na cara dela foi ótimo. Ela merecia. Mas vou parar por aqui. Não que a
história esteja acabando, pelo contrário, minha história com o Thiago só está
começando, o que está acabando é o show.
Sarah
Sarah correu. Correu como nunca poderia imaginar correr um dia. A
adrenalina faz isso conosco. Ela nos torna capazes de superar barreiras que
considerávamos intransponíveis. Sarah certamente não seria tão corajosa e muito
menos tão veloz em condições normais, mas aquela noite certamente não estava
sendo normal em nenhum aspecto. A única chance de Sarah era correr...
Quando Sarah acordou naquela fatídica manhã de Sábado, ela não podia imaginar a série de desventuras que a aguardavam dali a poucas horas. Acreditando ser um sábado como qualquer outro, ela acordou, pontualmente, as oito da manhã e exercitou-se até as nove. Tomou um banho, arrumou o cabelo e, então, desceu as escadas e sentou-se a mesa para tomar o café-da-manhã com os pais e os irmãos.
Após o café ela deitou-se no sofá da sala e pôs-se a assistir seus desenhos animados favoritos. A maioria das pessoas que conhecem Sarah a descrevem como uma garotinha mimada no auge de seus 17 anos. Ela era do tipo de garota que ama Looney Tunes, Scooby Doo, Avatar, entre vários outros. Seu quarto era absolutamente todo cor de rosa e era o maior orgulho que ela tinha na vida, embora todos achassem isso um exagero. Apesar do que se possa concluir, é preciso ressaltar que Sarah era uma garota muito estudiosa e possuia um sentimento de justiça muito forte. Ela detestava toda e qualquer forma de injustiça que possa existir.
Sarah tinha um único defeito importante: ela era uma medrosa irracional! Ela tinha medo de quase tudo... desde uma simples barata até do terrível e gigantesco lobo cinzento com três caudas e cinco fileiras de dentes com o qual ela sonhara aos oito anos... Sim, ela tinha alguns medos bem estranhos. Você por acaso conhece mais alguém que tenha medo de anéis, pó compacto, mesas de centro e de quadros do pintor italiano Caravaggio? É... Sarah era a única pessoa no mundo a temer isso. Porém, nenhum de seus medos era tão irracional quanto seu medo de fantasmas. Ela era o tipo de pessoa que via um filme de fantasmas e passava uma semana inteira com medo de dormir. Só pra se ter ideia, quando ela assistiu "Os Caça Fantasmas" ela passou três dias com medo de dormir e de qualquer um usando macacão!!
A tarde naquele terrível dia, ela foi até a casa de sua prima, pois as duas iriam assistir a um filme. Para a tristeza de Sarah, o filme escolhido era de terror e possuía uma boa dose de fantasmas. Com receio de chatear a prima, ela aceitou, relutantemente, assistir o filme. Foram três intermináveis horas de choro, gritos, olhos fechados, gritos em meio ao choro e com os olhos fechados... O único momento de calmaria foi quando sua tia acendeu a luz da sala após o término dos créditos, que tinham fantasmas em volta. É claro que Sarah quase desmaiou de susto com o barulho repentino do interruptor, mas isso não vem ao caso. A questão é que ela deveria ter pressentido o que a aguardava quando começou a ver o tal filme...
Já era noite quando Sarah despediu-se de sua prima e recusou a carona de sua tia com a desculpa de que precisava caminhar um pouco. Claro que se ela tivesse aceitado a carona ela teria tido a chance de evitar cada um dos trágicos acontecimentos que a aguardavam apenas a duas quadras dali, na esquina da rua onde ela morava. Infelizmente todos cometemos erros... Sua tia disse para que ela se apressasse e para que tomasse cuidado. Mais uma vez sou forçado a dizer que nenhuma das três poderia sequer imaginar o que aconteceria...
A rua em que Sarah se encontrava naquele momento era, em geral, até bem movimentada naquela hora da noite. Existiam uma dúzia de bares que ficavam abertos até meia noite e várias lojinhas que só fechavam as onze horas. A iluminação era excelente, de modo que uma garota como Sarah poderia passar por ali sem problemas em um dia comum. Este, no entanto, não era um dia comum... Nenhum bar estava aberto, tampouco as lojinhas. Estava mais escuro que de costume e a iluminação falhava. No fim da rua havia um único poste que piscava com um intervalo de cerca de cinco segundos. Ele ficava logo em frente a casa de Sarah e seria o último pelo qual ela teria de passar.
"Que estranho" - Pensava Sarah enquanto caminhava o mais rápido que podia.
Ela estava na metade do caminho quando foi tomada por um calafrio que subia velozmente por sua espinha. Ela parou imediatamente e o frio ficou maior. No entanto, não havia o menor sinal de vento. Ela voltou a andar, agora sem o mesmo ímpeto. Aos poucos ela foi sentindo o medo tomando conta dela. A sensação era desesperadora! A essa altura ela já tinha completado três quartos do caminho e tudo parecia assustador. O silêncio gélido que a cercava aumentava exponencialmente seu desespero, mas ela não era capaz de correr. Quando ela estava a poucos passos de chegar ao penúltimo poste de luz um grito de desespero ao longe a fez parar novamente.
"O... o... o que foi isso?" - Ela se perguntou mentalmente. - "Por que não consigo correr?"
Ela voltou a andar e sentiu uma gota muito fria de suor descer pelo seu rosto. De repente ela estava chorando. Ela ia devagar e passo a passo se aproximava do último poste. Ele estava apagado quando ela iniciou sua travessia. Cinco segundos se passaram muito devagar, como se cada segundo tivesse a intenção de dar a ela a chance de fugir, mas ela não o fez. A luz voltou a se acender e Sarah parou. A respiração dela parou durante aqueles cinco segundos em que a luz manteve-se acesa. Novamente cada segundo pareceu demorar uma eternidade pra passar. Quando a luz acendeu, Sarah olhou pro chão e então ela viu: uma sombra além de sua própria sombra. Uma sombra que não estava lá antes. Parada na mesma posição, Sarah aguardou. A luz voltou a se apagar. Tomada por uma coragem tola, a garota lentamente se virou para o lugar de onde vinha a tal sombra. Ela não via nada. Mais uma vez o tempo era cruel e os cinco segundos pareciam não querer passar. A luz voltou a acender. E Sarah correu...
Quando Sarah acordou naquela fatídica manhã de Sábado, ela não podia imaginar a série de desventuras que a aguardavam dali a poucas horas. Acreditando ser um sábado como qualquer outro, ela acordou, pontualmente, as oito da manhã e exercitou-se até as nove. Tomou um banho, arrumou o cabelo e, então, desceu as escadas e sentou-se a mesa para tomar o café-da-manhã com os pais e os irmãos.
Após o café ela deitou-se no sofá da sala e pôs-se a assistir seus desenhos animados favoritos. A maioria das pessoas que conhecem Sarah a descrevem como uma garotinha mimada no auge de seus 17 anos. Ela era do tipo de garota que ama Looney Tunes, Scooby Doo, Avatar, entre vários outros. Seu quarto era absolutamente todo cor de rosa e era o maior orgulho que ela tinha na vida, embora todos achassem isso um exagero. Apesar do que se possa concluir, é preciso ressaltar que Sarah era uma garota muito estudiosa e possuia um sentimento de justiça muito forte. Ela detestava toda e qualquer forma de injustiça que possa existir.
Sarah tinha um único defeito importante: ela era uma medrosa irracional! Ela tinha medo de quase tudo... desde uma simples barata até do terrível e gigantesco lobo cinzento com três caudas e cinco fileiras de dentes com o qual ela sonhara aos oito anos... Sim, ela tinha alguns medos bem estranhos. Você por acaso conhece mais alguém que tenha medo de anéis, pó compacto, mesas de centro e de quadros do pintor italiano Caravaggio? É... Sarah era a única pessoa no mundo a temer isso. Porém, nenhum de seus medos era tão irracional quanto seu medo de fantasmas. Ela era o tipo de pessoa que via um filme de fantasmas e passava uma semana inteira com medo de dormir. Só pra se ter ideia, quando ela assistiu "Os Caça Fantasmas" ela passou três dias com medo de dormir e de qualquer um usando macacão!!
A tarde naquele terrível dia, ela foi até a casa de sua prima, pois as duas iriam assistir a um filme. Para a tristeza de Sarah, o filme escolhido era de terror e possuía uma boa dose de fantasmas. Com receio de chatear a prima, ela aceitou, relutantemente, assistir o filme. Foram três intermináveis horas de choro, gritos, olhos fechados, gritos em meio ao choro e com os olhos fechados... O único momento de calmaria foi quando sua tia acendeu a luz da sala após o término dos créditos, que tinham fantasmas em volta. É claro que Sarah quase desmaiou de susto com o barulho repentino do interruptor, mas isso não vem ao caso. A questão é que ela deveria ter pressentido o que a aguardava quando começou a ver o tal filme...
Já era noite quando Sarah despediu-se de sua prima e recusou a carona de sua tia com a desculpa de que precisava caminhar um pouco. Claro que se ela tivesse aceitado a carona ela teria tido a chance de evitar cada um dos trágicos acontecimentos que a aguardavam apenas a duas quadras dali, na esquina da rua onde ela morava. Infelizmente todos cometemos erros... Sua tia disse para que ela se apressasse e para que tomasse cuidado. Mais uma vez sou forçado a dizer que nenhuma das três poderia sequer imaginar o que aconteceria...
A rua em que Sarah se encontrava naquele momento era, em geral, até bem movimentada naquela hora da noite. Existiam uma dúzia de bares que ficavam abertos até meia noite e várias lojinhas que só fechavam as onze horas. A iluminação era excelente, de modo que uma garota como Sarah poderia passar por ali sem problemas em um dia comum. Este, no entanto, não era um dia comum... Nenhum bar estava aberto, tampouco as lojinhas. Estava mais escuro que de costume e a iluminação falhava. No fim da rua havia um único poste que piscava com um intervalo de cerca de cinco segundos. Ele ficava logo em frente a casa de Sarah e seria o último pelo qual ela teria de passar.
"Que estranho" - Pensava Sarah enquanto caminhava o mais rápido que podia.
Ela estava na metade do caminho quando foi tomada por um calafrio que subia velozmente por sua espinha. Ela parou imediatamente e o frio ficou maior. No entanto, não havia o menor sinal de vento. Ela voltou a andar, agora sem o mesmo ímpeto. Aos poucos ela foi sentindo o medo tomando conta dela. A sensação era desesperadora! A essa altura ela já tinha completado três quartos do caminho e tudo parecia assustador. O silêncio gélido que a cercava aumentava exponencialmente seu desespero, mas ela não era capaz de correr. Quando ela estava a poucos passos de chegar ao penúltimo poste de luz um grito de desespero ao longe a fez parar novamente.
"O... o... o que foi isso?" - Ela se perguntou mentalmente. - "Por que não consigo correr?"
Ela voltou a andar e sentiu uma gota muito fria de suor descer pelo seu rosto. De repente ela estava chorando. Ela ia devagar e passo a passo se aproximava do último poste. Ele estava apagado quando ela iniciou sua travessia. Cinco segundos se passaram muito devagar, como se cada segundo tivesse a intenção de dar a ela a chance de fugir, mas ela não o fez. A luz voltou a se acender e Sarah parou. A respiração dela parou durante aqueles cinco segundos em que a luz manteve-se acesa. Novamente cada segundo pareceu demorar uma eternidade pra passar. Quando a luz acendeu, Sarah olhou pro chão e então ela viu: uma sombra além de sua própria sombra. Uma sombra que não estava lá antes. Parada na mesma posição, Sarah aguardou. A luz voltou a se apagar. Tomada por uma coragem tola, a garota lentamente se virou para o lugar de onde vinha a tal sombra. Ela não via nada. Mais uma vez o tempo era cruel e os cinco segundos pareciam não querer passar. A luz voltou a acender. E Sarah correu...
Happiness
Cara... estou feliz demais!! Só nessa semana eu já garanti meu ingresso pro show do Paramore (e não é qualquer ingresso... é um do primeiro lote pra pista Premium!! Morram de inveja compradores do segundo lote ou dos ingressos de pista!!) e fui convidado pra ter alguns de meus textos publicados num livro!!! Sim, você não está lendo errado, eu terei meu nome num livro de verdade!!! São só três textos, 10 páginas ao todo, mas dane-se... Sério.. nunca estive tão feliz na minha vida!
Quem me conhece sabe que eu comecei a escrever pra ter uma via de escape da realidade... E quem estava lá, viu de perto minha surpresa quando percebi que as pessoas gostavam do que eu escrevia! Foi um sentimento inesquecível... Foi a primeira vez que eu realmente soube que sabia fazer algo bem... Desde então nunca parei de escrever... Tive meus hiatos, é claro... Quem nessa vida não tem momentos sem inspiração? Mas eu sempre reencontrava minha inspiração e voltava a fazer algo que eu amo: escrever...
Com o tempo foi nascendo dentro de mim um sonho: publicar um livro. Era um sonho grande pra um adolescente com um blog, é verdade, mas nunca duvidei que um dia eu poderia vir a realizá-lo. E agora, depois de 3 anos desde que comecei a escrever meus contos e crônicas, esse sonho vai tornar-se realidade, graças ao projeto Palavra é Arte, de Campinas. O responsável pelo projeto, o professor Gilberto Martins, leu um dos meus textos em um site no qual publico e entrou em contato comigo por e-mail. Ele me ofereceu a chance de ter alguns dos meus textos publicados no próximo livro do projeto...
Só tenho que agradecer a todos que acreditaram em mim e me apoiaram quado comecei... Hoje eu me sinto realizado, mas não pretendo parar por aí... Vejo essa como uma oportunidade de quem sabe começar uma carreira... Hoje eu vejo que meu sonho não era assim tão grande, mas agora eu acho que é... Quero que meus textos possam, um dia, trazer alegria a centenas de pessoas, quem sabe milhares? Não busco fama, busco realização pessoal... É isso que eu quero fazer, pois é isso que eu amo fazer! É isso que me traz felicidade...
Quem me conhece sabe que eu comecei a escrever pra ter uma via de escape da realidade... E quem estava lá, viu de perto minha surpresa quando percebi que as pessoas gostavam do que eu escrevia! Foi um sentimento inesquecível... Foi a primeira vez que eu realmente soube que sabia fazer algo bem... Desde então nunca parei de escrever... Tive meus hiatos, é claro... Quem nessa vida não tem momentos sem inspiração? Mas eu sempre reencontrava minha inspiração e voltava a fazer algo que eu amo: escrever...
Com o tempo foi nascendo dentro de mim um sonho: publicar um livro. Era um sonho grande pra um adolescente com um blog, é verdade, mas nunca duvidei que um dia eu poderia vir a realizá-lo. E agora, depois de 3 anos desde que comecei a escrever meus contos e crônicas, esse sonho vai tornar-se realidade, graças ao projeto Palavra é Arte, de Campinas. O responsável pelo projeto, o professor Gilberto Martins, leu um dos meus textos em um site no qual publico e entrou em contato comigo por e-mail. Ele me ofereceu a chance de ter alguns dos meus textos publicados no próximo livro do projeto...
Só tenho que agradecer a todos que acreditaram em mim e me apoiaram quado comecei... Hoje eu me sinto realizado, mas não pretendo parar por aí... Vejo essa como uma oportunidade de quem sabe começar uma carreira... Hoje eu vejo que meu sonho não era assim tão grande, mas agora eu acho que é... Quero que meus textos possam, um dia, trazer alegria a centenas de pessoas, quem sabe milhares? Não busco fama, busco realização pessoal... É isso que eu quero fazer, pois é isso que eu amo fazer! É isso que me traz felicidade...
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Era uma aula...
Era uma aula nada comum,
Aula chata e professora irritante...
E então sem aviso algum
Aconteceu algo importante!
Primeiro um tigre na sala entrou
E a professora ele assustou
Rugiu, rugiu e então se foi
Correndo atrás de um boi.
Depois apareceu um coelhinho,
E perguntou “O que há velhinho?”
Um pato chegou e tava cuspindo...
Se apresentou como Patolino.
Aí começou a ficar esquisito...
Pois apareceu um mosquito.
Ele começou a cantarolar
Até a professora chorar...
Achei que fosse problema meu,
Até a Luna dizer “Você é tão normal quanto eu...”
Pra terminar bem o dia
Um E.T. fez nossa alegria!
A professora ele abduziu
E de nervoso todo mundo riu!
De repente um cutucão levei...
“Ô menino acorda aí!”
A aula toda eu dormi...
Mas pelo menos me diverti!!
Então, gostaram? Este é o primeiro sucesso musical do Avoiding my Reality... E possivelmente o último kkkk
Aula de Microbiologia rendeu hoje, viu... Estava lá prestando atenção na aula (ou não...) e me veio a ideia de escrever algo pra não morrer de tédio... Eis que me surge este poema que mais tarde virou uma paródia de Era uma casa...
Texto de Guilherme Cardoso
Edição de vídeo de Guilherme Cardoso
Áudio: Artista desconhecido (será mesmo desconhecido??)
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